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RIO - Ok, todo mundo concorda que o local de trabalho deveria ser um ambiente de relacionamentos saudáveis. Mas a pressão por resultados e a competição do dia a dia, muitas vezes, acaba tornando o clima tenso. A coisa toda tende a piorar devido à cobrança de gestores, às fofocas e, eventualmente, à falta de ética de colegas. Nessas horas, o sangue sobe à cabeça e é preciso muito autocontrole para não deixar a raiva dominar o indivíduo.
Vera Martins, especialista em medicina comportamental e autora do livro ''Tenha calma - como lidar com a raiva no trabalho e transformá-la em resultados positivos'', afirma que este sentimento tem presença constante no mundo corporativo e, na maioria das vezes, é mal resolvido. Segundo ela, a raiva é como um vírus que corrói os processos de trabalho.
- A raiva mal resolvida impede o profissional de agir assertivamente, tendo impacto na sua saúde mental e nos resultados profissionais. O que, muitas vezes, é imperceptível aos olhos da organização - alerta Vera, que, nos últimos dois anos, tem se dedicado ao estudo desta perturbação.
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Ana Carolina Maffra, consultora da Equipe Certa, ressalta que a pressão no ambiente de trabalho pode, sim, gerar raiva, mas nem sempre este sentimento se transforma em força motivadora.
- Eu posso ficar com raiva porque não bati minha meta e isto me impulsionar a buscar novas estratégias. Por outro lado, posso ficar com tanta raiva e começar a estourar com colegas, chefe ou clientes, me desviando ainda mais das metas.
Como conseguir lidar com a raiva de forma positiva
Ficar cultivando a raiva não trará benefícios nem para o funcionário, nem para a empresa. Por isso, afirma Vera, o melhor é colocar a emoção para fora. Mecanismos de defesa como agressão, passividade ou dissimulação na postura profissional acabam tirando o indivíduo do foco nos resultados de seu trabalho.
- A raiva reprimida nutre sentimentos ruins no ambiente, proliferando a mágoa, sentimento que fortalece o desejo da vingança e retaliação.
Raiva mal trabalhada acaba prejudicando saúde do trabalhador
Em pesquisa realizada com 220 profissionais, Vera quis saber como os entrevistados reagem no ambiente de trabalho ao sentir raiva. A maioria dos profissionais (52%) respondeu que encara o problema de frente e vai conversar com aquele que despertou o sentimento para mostrar seu posicionamento, sem levantar a voz e sem agressividade. Outros 21% disseram engolir a raiva para não aumentar o conflito, enquanto 18% não procuram a pessoa que os irritou, mas tratam o problema com ironia, ou então adotam uma postura política, fingindo que o problema não os afetou. A minoria (9%) respondeu que vai ao confronto direto, sem medo de piorar o conflito.
Segundo Vera, a maioria escolheu a alternativa mais sensata, que expressa a raiva de forma madura. Porém, no somatório das outras três alternativas, 48% dos profissionais adotam estratégias defensivas para expressar a raiva no ambiente de trabalho.
- É um percentual razoavelmente alto de pessoas que convivem com essa emoção mal resolvida - acrescenta.
Fonte: O Globo
Raiva (sentimento)
Raiva é um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego sente-se ferido ou ameaçado. A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas. Joanna de Ângelis[1] aponta o desenvolvimento moral e psicológico do indivíduo como determinante na maneira como a raiva é exteriorizada.
A raiva também pode ser um sentimento passageiro ou prolongado(rancor).
Diferentes origens
A raiva pode ter diversas origens, tais como:
- O desejo de vingança: Quando alguém foi de alguma forma insultado, ou prejudicado por outra pessoa, e sente o desejo que ela sinta o mesmo que está sentindo.
- A inveja: Uma pessoa pode sentir raiva de outra pelo fato desta ter algo que aquela gostaria para si, no entanto, como não possui recursos próprios para adquirir estes objetos de desejos, e pela sua imaturidade moral, passa a sentir raiva de quem os têm.
- O ego: Uma pessoa pode sentir raiva de uma outra pelo fato desta ter afrontado ou ridicularizado o seu ego. A raiva, neste caso, é uma tentativa de proteção ao impor-se uma postura agressiva diante da afronta.
- O instinto de superioridade: Uma pessoa que no seu íntimo tem a falsa percepção de superioridade em relação aos demais, quando se vê em uma situação em que não é compreendida ou aceita como gostaria que o fosse, utiliza-se da raiva como mecanismo de evasão dos seus instintos violentos, afligindo a todos que encontram-se ao seu lado.
- A família: Pode ocorrer quando os pais não dão a devida atenção aos filhos, desinteressando-se pelos problemas que venham a afligir a prole. Inconscientemente o indivíduo começa a ressentir-se, o que ao longo dos anos pode gerar raiva acumulada.
- O trânsito: Segundo Joanna de Ângelis (2005), é bem comum acidentes automobilísticos devido a "raiva malcontida" de motoristas que não se conformam em serem ultrapassados por outros carros, e ao invés de facilitar a ultrapassagem terminam expondo o outro automóvel a perigos que podem resultar em um acidente.
Conseqüências
A raiva é como uma doença que vai corroendo de dentro para fora, e que causa diversos prejuízos físicos, mentais e espirituais para o próprio enfermo e para as pessoas que a este acompanham.
Como conseqüências da raiva podemos ter:
- A violência verbal.
- A violência física.
- O Ódio, que consiste numa ênfase de raiva, que geralmente dura mais tempo e acompanha um desejo contínuo de mal a alguém.
- O comportamento agressivo, que se dá quando o indivíduo assume uma postura contínua de mau humor e raiva, pode ter sua origem em pequenas frustrações que no decorrer da vida se acumulam, e que não foram superadas através de diálogos compreensivos e do perdão ao próximo e a si mesmo.
O perdão consiste em desistir de qualquer ressentimento quando se é, de alguma forma, prejudicado. Por isso existe quem considera o ato de perdoar como uma possível "cura" para a Raiva.
No corpo humano a raiva gera problemas no sistema nervoso central, disfunção das glândulas de secreção endócrina, distúrbios no aparelho digestivo e desequilíbrio psicológico.

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