O câncer de boca já ocupa o quinto lugar entre os mais comuns entre a população masculina. O cirurgião-dentista tem papel fundamental no diagnóstico precoce da doença e na manutenção da saúde integral do paciente
Segundo dados publicados pelo Ministério da Saúde, o tabagismo está em declínio no País. Entre 2006 e 2010, a proporção de fumantes caiu de 16,2% para 15,1%. Houve uma redução de mais da metade dos fumantes nos últimos 22 anos, uma vez que 34% dos brasileiros fumavam em 1989. Mesmo com essa redução, os perigos do cigarro continuam sendo uma ameaça. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmam que este ano seis milhões de pessoas irão morrer de doenças decorrentes do tabaco. E o pior: 10% serão de fumantes passivos. A Associação Brasileira de Odontologia (ABO), entidade parceira da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), alerta, no Dia Mundial de Combate ao Fumo, para os males do cigarro para a saúde bucal e integral da população.
No Brasil, o câncer de boca ocupa o quinto lugar entre os mais comuns na população masculina, já que os homens fumam e bebem mais; o alcoolismo e o tabagismo são as principais causas da doença. Dados da OMS apontam que 43% das mortes por câncer em todo o mundo são causadas pelo consumo de tabaco, do álcool, por maus hábitos alimentares e de estilo de vida e infecções. Estima-se ainda que aproximadamente 75% a 90% de todos os cânceres que acometem a região da cabeça e do pescoço sejam consequência do tabagismo. Quem fuma, por exemplo, tem 25 vezes mais chance de ter doenças na boca do que os não fumantes, o que pode piorar com a ingestão de bebidas alcoólicas. Isso acontece porque o tabaco e o álcool causam alterações nas células da mucosa da boca e da pele, capazes de acelerar o crescimento das células cancerígenas e aumentar as chances de lesões e tumores. Como vários outros agentes externos de destruição da saúde, o cigarro começa a prejudicar o organismo a partir da boca, podendo ocasionar de manchas nos dentes a câncer.
O cirurgião-dentista é um grande aliado no diagnóstico precoce do tumor, evitando que mais mortes ocorram, e ajudando a melhorar a qualidade de vida do paciente. O tratamento das lesões iniciais do câncer bucal, por cirurgia ou radioterapia, tem bons resultados, com cura em 80% dos casos, segundo dados da OMS. Nos casos avançados, quando a cirurgia não é possível, a quimioterapia é associada à radioterapia, porém os resultados não são muito satisfatórios. Para evitar isso, a visita regular ao cirurgião-dentista é fundamental, pois ele é capaz de detectar as primeiras possíveis lesões do tumor, como feridas que não cicatrizam em uma semana, ulcerações indolores que podem sangrar, e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal. É sempre bom ficar atento a qualquer alteração na boca. Vale lembrar que a boca é porta de entrada para várias infecções, podendo prejudicar também a faringe e a laringe, e, consequentemente, todo o organismo.
Os cuidados valem também para quem não fuma, mas convive com fumantes. Permanecer em um ambiente onde há pessoas fumando equivale a fumar quatro cigarros para quem não fuma. A exposição à fumaça do tabaco, e o consumo de rapé ou hábito de mascar fumo, elevam o risco de câncer bucal. Para quem não fuma, o melhor é manter distância da fumaça para não prejudicar a sua saúde.
ABO e o combate ao tabagismo
A ABO combate o cigarro em diversos flancos. Antecipando-se às legislações estaduais que baniram o uso de cigarro e derivados de tabaco em ambientes de uso coletivo – públicos ou privados –, a entidade decretou, em 2007, todos os seus ambientes, em todo o Brasil, 100% livres de fumaça de cigarro. A medida foi tomada em consonância com a Federação Dentária Internacional (FDI), que, em resolução oficial, enfatiza que “não há nenhum nível seguro de exposição ao ar contaminado por fumaça de tabaco”, chamando a atenção para a necessidade de se “promulgar leis sem exceções para proteger as pessoas dos perigos da fumaça do cigarro alheio”. Isso também estimulou as unidades da ABO a realizarem em suas regiões campanhas de combate ao fumo e de prevenção e diagnóstico precoce do câncer bucal, destacando o tabaco como fator de risco, voltadas para profissionais e população em geral.
Dados de tabagismo
- Proporção de fumantes diminuiu entre 2006 e 2010: passou de 16,2% para 15,1%
- Seis milhões de pessoas irão morrer de doenças decorrentes do cigarro em 2011
- O câncer de boca é o quinto mais comum entre homens
- 43% das mortes por câncer em todo o mundo são causadas pelo consumo de tabaco
- Quem fuma tem 25 vezes mais chances de ter câncer bucal
- No Brasil, 23 pessoas morrem por hora em virtude de doenças ligadas ao tabagismo
- O tabagismo está relacionado a 25% das mortes causadas por doença coronariana e infarto do miocárdio; 45% das causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos; 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos; 85% das mortes causadas por bronquite e enfisema; e 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os restantes, 1/3 é de fumantes passivos)
