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ENEM UM VERGONHA NACIONAL


Escrito por Flávia Luciano


A segurança da prova do ENEM tem sido uma preocupação desde a mudança de seu formato, selecionando candidato como vestibular, no início de abril de 2009. Na época do anúncio dessa mudança, os reitores das universidades federais haviam expressado seu temor em relação à segurança da prova, alegando que os vestibulares tinha um “aparato de segurança” maior, algo que não iria acontecer com o ENEM.


Essa preocupação não foi em vão,  logo surgiram as suspeitas de fraudes e o anúncio de vazamento assolou o país. Algumas pessoas tiveram acesso às provas roubadas,  venderam o conteúdo para um Jornal que entregou o conteúdo ao MEC. A fraude adiou a realização do exame, acabou marcado por abstenção recorde e erro no gabarito oficial. Quatro dos cinco envolvidos no vazamento foram condenados pela Justiça Federal.


No ano seguinte mais uma vez a falha na segurança foi comprovada, o tema da redação do Exame Nacional de Ensino Médio 2010 teria vazado antes do início do vestibular. E para completar, a prova Amarela teve questões embaralhadas, o que fez com que alguns estudantes marcassem as respostas no campo errado. Essas não foram às únicas falhas, teve ainda a difusão de dados pessoais dos inscritos no EMEM, disponibilizado no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), em 2010, especialmente por ter sido divulgado em conjunto: CPF, RG e nome completo dos candidatos e dos pais.  Uma falha absurda, que pode resultar em vários tipos de fraudes.


Agora em 2011, o que aconteceu vem comprovar a fragilidade da segurança, mais uma vez o vazamento das questões veio à tona.  Estudantes do Colégio Christus, em Fortaleza, tiveram acesso a questões similares em um simulado interno do Centro Educacional.


Segundo o INEP não houve furto de pré-teste, mas todas as provas foram recolhidas e incineradas, as questões vazaram ficando contidas no banco de dados do Colégio, sendo distribuídas semanas antes em apostilas.


Com os acontecimentos, sabemos que nenhuma solução é adequada.  Além disso, é típico dos erros não comportarem solução prazível. Invalidar 'somente' as questões dos alunos beneficiados não devolve a isonomia. É que eles continuariam a gozar, para o bem ou para o mal, de situação disfarçada, haja vista que acabaram com menos questões. No entanto, anular as questões para todo o Brasil não restauraria a igualdade transgredida. Como vemos, nem sempre os recursos aplicados, tem o poder de assegurar, em termos condicionais, a neutralização esperada.


A nós, cabe esperar o término da novela ENEM, que perdura por três (03) anos, esperando que em 2012, o “aparato de segurança” possa realmente funcionar, e essa vergonha tenha o seu fim.