Frankensteins políticos - O PT parece não ter assimilado, ainda, o lançamento da candidatura de Geraldo Julio (PSB) à Prefeitura do Recife. Pelo menos a julgar pelas recentes declarações do coordenador nacional da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), Rochinha, que acusa os socialistas de “traição” e “deslealdade”.
Até algum tempo, a relação de Lula e Eduardo, para alguns, excedia a política, chegando a ser afetiva, o que deve causar ainda mais ruídos sob as hostes petistas. Contudo, a história do Brasil está repleta de Frankensteins políticos.
Eduardo não foi o primeiro e nem será o último político brasileiro a se voltar contra o seu 'criador' (ou melhor, protetor, já que a grande referência de Eduardo é seu avô, Arraes). Bem antes do socialista, Celso Pitta rompeu com Maluf em São Paulo, onde ainda há o caso do discreto Luiz Antônio Fleury, que, por sua vez, desfez laços com Quércia. Isso sem falar em João da Costa, hoje desafeto de João Paulo. É assim desde Adhemar de Barros, traído por Lucas Garcez.
Por último, o próprio Lula não foge à regra, tendo se voltado contra Paulo Vidal, figura determinante para sua ascensão no núcleo sindical, como bem lembra o biógrafo Nêumanne Pinto. Portanto, já passou da hora do PT digerir a “traição” de Eduardo. Porque processar a ascensão meteórica de Julio, que já empatou com Humberto, vai ser ainda mais difícil.
Cão que ladra não morde - O lançamento da candidatura de Geraldo Julio estampa um traço característico de Eduardo: o senso de oportunidade. O socialista se aproveitou do poder do contexto (a guerra civil petista que precedeu a candidatura – imposta – de Humberto) para entrar na briga, atribuindo a iniciativa ao desgaste que houve no PT local. Deixou os antigos aliados numa hora oportuna e, no seu entendimento, justificada, depois de anos de parceria sólida. Discretos e sensatos, os socialistas – à exceção de Ciro Gomes – são bem diferentes do PMDB, que, apesar das ameaças, não deixam a base governista.
Que nem João Paulo II - Ao contrário do ministro Joaquim Barbosa, Lula perdoa tanto quanto o saudoso papa João Paulo II. Que o digam os mensaleiros, que ajudaram o PT no triunfo das ambições sobre as instituições (o ex-tesoureiro Delúbio Soares, aliás, foi reintegrado ao partido com cerimônia e tudo). Quem sabe perdoe Eduardo.
2014 - É reconhecida a preocupação do PT com os possíveis planos de Eduardo para 2014, embora os próprios socialistas minimizem a dimensão de uma eventual vitória do PSB no pleito municipal, que pode ser interpretada como um triunfo de Eduardo sobre Lula. Ao fim e ao cabo, a rusga entre PT e PSB ofusca um adversário interno: Ciro Gomes.
Morte e vida severina - Antigo rei do baixo clero, como ficou conhecido em 2005, ano de sua ascensão à Presidência da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP) passa longe da influência de outrora. Após renunciar ao mandado de deputado federal, não se reelegeu. Agora, peleja para reverter a impugnação - por unanimidade - de sua candidatura à Prefeitura de João Alfredo, onde tenta o segundo mandato seguido.
Semântica política - As 'palavras mágicas (de Eduardo)' criticadas por Lula, no guia de Humberto, continuam sendo alvo do PT. José Dirceu, que perdeu o mandato mas não a influência, 'tucanou' o léxico socialista. Tratou de atribuir a autoria da expressão a Aécio Neves e afirmar que 'choque de gestão' consiste em 'demitir funcionários públicos e cortar investimentos em programas sociais'. Dado o inchaço da máquina e do Estado ocorrido na Era Lula, a expressão pode ser entendida, portanto, como nada mais nada menos do que responsabilidade fiscal.
CURTAS
Teflon 2012 - Quando de sua vigência, Lula intrigava a oposição. Mensalão, caixa dois, cartões corporativos, nada 'colava' na imagem do então presidente, prerrogativa que as más línguas chamavam de teflon. Pois bem. Agora, é Lula que não consegue colar seu peso eleitoral nos candidatos do PT.
Pequenos - Nas inserções de seus prefeituráveis, os partidos pequenos do Recife atacam os 'inimigos' de sempre: as privatizações e o capital estrangeiro. Com pouco tempo de TV, o discurso deles, amplo demais para o contexto local, também não ajuda.
PERGUNTAR NÃO OFENDE - Quem é o candidato do prefeito João da Costa?
Fonte: Magno Martins
Fonte: Magno Martins


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