Em vez de retorno financeiro, os resultados observados são o maior número de beneficiados e a maior facilidade na obtenção de recursos
A coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o Terceiro Setor (Nits) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ana Lucia Jansen, explica que a franquia social torna-se uma cooperação desprovida de envolvimento financeiro e tem um alcance maior do que os contratos comerciais, porque não se baseiam na mercantilização dos modelos de sucesso. “É a doação de uma organização, que cede sua metodologia e sua marca em prol de outras organizações.”
Definições
Franquia social não é o mesmo que parceriaA professora e coordenadora do Nits da UFPR, Ana Lucia Jansen, explica que, embora as organizações franqueadas e as franqueadoras sociais se chamem de parceiras, esse tipo de relação difere bastante das parcerias. “Na parceria não existe uma metodologia de trabalho, mas uma relação que beneficia diversas entidades ao mesmo tempo. Existem parcerias entre ONGs, por exemplo, em que quando há excedente de doações, uma entidade passa para outra que tiver interesse, numa espécie de redistribuição dos itens captados.”
Ao contrário das franquias sociais, as parcerias entre organizações sem fins lucrativos são bastante comuns e se formam em uma rede de autossustentação, em que existe o compartilhamento de recursos sem prejuízos para ninguém, afirma Ana Lucia. Pelo sistema de parcerias é possível que uma instituição se concentre somente no seu objetivo de atuação. “Há organizações que, na ânsia por atender às demandas sociais, acabam inchando o terceiro setor, e têm dificuldades em bem atender a cada uma das áreas. Na parceria isto some.”
Com o foco de atuação bem definido, até a captação de recursos torna-se mais eficiente. “No mundo das organizações sociais, quanto mais definido o foco, maior a facilidade na obtenção de recursos e de apoiadores”, fala a coordenadora. Ela complementa que as empresas financiadoras buscam instituições alinhadas a seus objetivos, fazendo com que a aplicação de recursos seja mais precisa.
Guia social
Embora a Associação Franquia Sustentável (Afras) esteja focada especificamente nas organizações comerciais que trabalhem no sistema de franquia com responsabilidade social, em 2009 lançou a Carta de Princípios sobre Franquias Sociais, o primeiro documento do Brasil que orienta empreendedores para a adaptação do franchising ao terceiro setor. O documento pode ser acessado no link: www.afras.com.br/portal/index.php?franquias-sociaisSegundo a coordenadora, são poucas as franquias sociais no Brasil e ainda é preciso fazer algumas experimentações. “O tema é novo e ainda não há um consenso sobre o assunto. Porém já sabemos que é necessária uma adaptação do modelo de acordo com a realidade em que será replicado. Essa é uma condição sine qua non para que haja chance de sucesso.”
Vantagens
Entre as vantagens da adoção desse sistema, Ana Lucia ressalta o impacto positivo nos atores envolvidos no projeto. “Para o franqueador o primeiro grande benefício é expandir o atendimento, a ação de sua organização por meio das franqueadas, atingindo um público que sozinho ele não conseguiria atender. É ver sua atuação maximizada, multiplicada.”
Segundo a pesquisadora, para quem deseja implantar uma franquia social em sua comunidade o maior benefício é contar com a experiência da organização cuja metodologia está sendo replicada, aumentando as chances de o resultado final ser atingido. “E a sociedade ganha ao poder ter acesso a serviços prestados com qualidade por uma instituição. É um benefício institucional e social”, afirma Jansen.
Aulas de circo são atividades de franqueada
No município de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, uma iniciativa que aplica a ideia de franquia social há três anos trouxe bons resultados. O Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral (Cadi) busca o desenvolvimento de tecnologias de educação e assistência, via políticas públicas, além de auxiliar projetos que promovam o desenvolvimento local e a defesa dos direitos. As aulas de circo (foto) fazem parte do eixo de atuação da cultura do Centro, que atende crianças e adolescentes de 4 a 16 anos e suas famílias.
O Cadi existe desde 1994 e está presente em diversos estados. “A vantagem é que, como a missão e visão estão prontas, a franqueada antecipa etapas e prospecta recursos não mais como uma organização recém-criada”, diz o diretor-executivo da unidade de Fazenda Rio Grande, Marcel Lins Camargo.
Albari Rosa/ Gazeta do Povo

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