Apesar da estabilidade da taxa de desemprego, que ficou em 6,5% em março, ante taxa de 6,4% em fevereiro, o número de trabalhadores ocupados cresce acima do crescimento vegetativo do Brasil, informou nesta terça-feira, 19, o IBGE. O montante de indivíduos com 10 anos ou mais no País subiu 1,1% em março ante o mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, o número de ocupados cresceu 2,4%.
'Há uma estabilidade este ano, mas, em relação ao ano passado, os números são bem favoráveis. A população ocupada cresce acima do crescimento vegetativo do País. E a população desocupada diminui, caiu 14% em relação a março de 2010', disse o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, responsável pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada hoje.
Segundo Cimar, o nível da população ocupada, após uma queda em janeiro com o fim do contrato de trabalhadores temporários, segue uma trajetória ascendente. 'Nós percebemos uma tendência de recuperação, embora ainda tímida. Seria preocupante se houvesse queda na ocupação em março, mas vemos uma tendência de leve crescimento', afirmou o gerente do IBGE. 'As pessoas que foram dispensadas em janeiro com o fim dos temporários, ainda estão entre os desocupados. Elas ainda não conseguiram se inserir de volta, porque ainda não aconteceu a alavancada no mercado de trabalho, que costuma se dar no segundo ou terceiro trimestre'.
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Crescimento no Nordeste faz faltar mão de obra em SP.
Ao mesmo tempo em que os investimentos da construção civil e do varejo no Nordeste estão proporcionando à região taxas de crescimento do emprego com carteira assinada acima da média brasileira, também acabam contribuindo para a escassez de mão de obra em São Paulo. Os Estados nordestinos concentraram mais de 34% das vagas criadas pelo setor da construção no País nos últimos 12 meses. Já as redes varejistas aceleram o ritmo de expansão na região, aproveitando a evolução do consumo das classes C e D, mais sensíveis aos ganhos do salário mínimo e dos programas de distribuição de renda.
Segundo levantamento da LCA Consultores, feito a pedido da Agência Estado, das cerca de 333 mil vagas formais criadas entre julho de 2009 e 2010, mais de 114 mil foram geradas nos Estados nordestinos, representando mais de um terço dos postos. 'Os ganhos reais do salário mínimo e o crescimento do Nordeste têm aumentado o dinamismo da economia local, reduzindo o fluxo de trabalhadores para outras regiões, aumentando os investimentos e ampliando a gama de oportunidades', diz o economista da LCA, Fábio Romão. No Brasil, enquanto o setor ampliou no período em 16,6% as vagas formais, no Nordeste o crescimento atinge 30,5%.
Com os investimentos dos últimos anos se ampliando no Nordeste, organizações dos setores da construção civil e dos supermercados vêm observando uma falta cada vez maior de mão de obra, sobretudo em São Paulo. Parte é creditada à redução do fluxo migratório. 'Estamos tendo dificuldades para preencher o aumento de 20% a 30% previsto para as vagas do fim do ano', diz o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi. Ele relata casos em que supermercadistas estão abrindo mão de contratar trabalhadores com ensino médio e ocupando as vagas com pessoas com apenas o ensino fundamental.
No caso da construção civil, o cenário é parecido com o do varejo e os representantes do setor defendem uma ação conjunta das empresas com o governo para investir em qualificação dos trabalhadores. 'O Bolsa-Família é outro fator que tem impacto nesse cenário. Muita gente tem optado por não aceitar o emprego com carteira assinada quando o salário ultrapassa o limite de renda por pessoa, porque perderia o benefício', diz Claudio Bernardes, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), acrescentando que os programas de distribuição de renda também contribuem para que os nordestinos não deixem a região.
Migração
Para o professor do instituto de economia da Unicamp Claudio Dedecca, as transformações econômicas observadas nos Estados nordestinos nos últimos anos estão reduzindo a 'pressão pela migração' para outras regiões do País. 'O crescimento da renda dessa população abriu novas perspectivas para investimentos e retomada de projetos estratégicos. Pela primeira vez, as empresas estão esbarrando na falta de profissionais'.
Romão, da LCA, ressalta que os ganhos reais do salário mínimo produzem um efeito maior sobre o consumo na Região Nordeste, porque quase metade da população recebe um salário mínimo por mês. Em todo o Brasil, essa média é de 29%, conforme os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
Ele destaca que, especialmente, a construção civil tem apresentado uma forte evolução na formalização de postos de emprego. 'O aumento do crédito e da distribuição de renda tem um impacto muito positivo no Nordeste',
Rendimento médio do trabalhador aumenta 3,8% em março, frente a 2010
SÃO PAULO – O rendimento médio real da população ocupada aumentou 3,8% em março, no confronto com o mesmo mês de 2010, chegando a R$ 1.557,00. Já na comparação com fevereiro, a alta foi de 0,5%.
Os dados, divulgados nesta terça-feira (19), fazem parte da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas seis principais regiões metropolitanas do País.
Rendimentos por região
Frente a março do ano passado, cinco das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE apresentaram alta no rendimento médio real da população ocupada.
A exceção foi São Paulo, que viu o salário de seus trabalhadores ficar estável no período. Em contrapartida, o Rio de Janeiro registrou a maior variação, de 9,2%, seguido de Recife, com 7,7%.
Em março do ano passado, a população ocupada da capital fluminense recebia, em média, R$ 1.536,28. No mês passado, o valor passou para R$ 1.678,00 o maior rendimento entre as capitais.
Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre também registraram aumentos frente a 2010, de 2.7%, 4,1%,e 5,7%, respectivamente.
Autônomos, formais e informais
As pessoas que trabalham por conta própria tiveram queda no rendimento na comparação com fevereiro (-1,1%), passando de R$ 1.343,08 no último mês para R$ 1.328,90 agora.
O rendimento médio dos empregados do setor privado sem registro ficou em R$ 1.146,30 e apresentou uma elevação de 4,8% frente a fevereiro deste ano e 6,8% na comparação com março do ano passado.
Para quem trabalha no setor privado com carteira assinada, os rendimentos aumentaram 0,2% na comparação com fevereiro deste ano e 1,2% na comparação com março do ano passado. Os trabalhadores formais do setor privado ficaram com média salarial de R$ 1.433,70.
Renda por atividade econômica
No confronto anual, dentre as atividades econômicas analisadas, apenas o setor de comércio e reparação de veículos automotores registrou queda no rendimento na comparação com o ano passado (-1,4%).
Os trabalhadores da Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água tiveram o maior aumento na comparação entre março de 2010 e março deste ano, de 9,3%. Serviços domésticos teve alta de 5,6% no rendimento.
Em seguida vem outros serviços (como alojamento, transporte e limpeza urbana), com 4,6% de crescimento, educação, saúde, serviços sociais e administração pública, com 3,3%, e construção, com 3,1% de aumento.
Serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira teve aumento de rendimento, mas bem menos expressivo: apenas 0,7% na comparação entre março deste ano e o mesmo mês do ano passado.
Fonte: Info money


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