A segurança da prova do ENEM tem
sido uma preocupação desde a mudança de seu formato, selecionando candidato
como vestibular, no início de abril de 2009. Na época do anúncio dessa mudança,
os reitores das universidades federais haviam expressado seu temor em relação à
segurança da prova, alegando que os vestibulares tinham um “aparato de
segurança” maior, algo que não iria acontecer com o ENEM.
Essa preocupação não foi em vão
pois, logo as suspeitas de fraudes foram confirmadas, e o anúncio de vazamento
assolou o país. Algumas pessoas tiveram acesso às provas roubadas, e venderam o
conteúdo para um Jornal, que entregou o conteúdo ao MEC. A fraude adiou a
realização do exame, que acabou marcado por abstenção recorde e erro no gabarito
oficial. Quatro dos cinco envolvidos no vazamento foram condenados pela Justiça
Federal.
No ano seguinte mais uma vez a falha na segurança
foi comprovada, o tema da redação do Exame Nacional de
Ensino Médio 2010 teria vazado antes do início da prova. E para completar, a
prova amarela teve questões embaralhadas, o que fez com que alguns estudantes
marcassem as respostas no campo errado. Essas não foram as únicas falhas, teve
ainda a divulgação
dos dados pessoais dos inscritos no EMEM, disponibilizado no site do INEP (Instituto Nacionalde Estudos e Pesquisas Educacionais) em 2010, especialmente por ter sido
divulgado em conjunto: CPF, RG e nome completo dos candidatos e dos pais. Uma falha absurda, que pode resultar em vários
tipos de fraudes.
Agora em 2011, o que aconteceu vem comprovar
a fragilidade da segurança, mais uma vez o vazamento das questões veio à tona. Estudantes do Colégio Christus, em Fortaleza,
tiveram acesso a questões similares em um simulado interno do Centro Educacional.
Segundo o INEP, não houve furto de pré-teste, pois todas as provas foram recolhidas e incineradas, as questões vazaram do exame, ficando contidas no banco de dados do Colégio, sendo distribuídas semanas antes em apostilas.
Com os
acontecimentos, sabemos que nenhuma solução é adequada. Além disso, é típico dos erros não
comportarem solução prazível. Invalidar 'somente' as questões dos alunos
beneficiados não devolve a isonomia. É que eles continuariam a gozar, para o
bem ou para o mal, de situação disfarçada, haja vista que acabaram com menos
questões. No entanto anular as questões para todo Brasil, não restauraria a
igualdade transgredida. Como vemos, nem sempre os recursos aplicados têm o
poder de assegurar em termos condicionais a neutralização esperada.
A nós,
cabe esperar o término da novela ENEM, que perdura por três (03) anos,
esperando que em 2012, o “aparato de segurança” possa realmente funcionar, e
essa vergonha tenha o seu fim.
Criado por Flávia
Luciano responsável pela redação do site do GTSVF.

