Enquanto não existe dinheiro para políticas de prevenção de acidentes de trabalho no Brasil, unidades do Ministério do Trabalho país afora vivem sucateadas e sem servidores suficientes para exercer suas ações, a corrupção política desvia dinheiro público que poderia ser investido na segurança do trabalhador brasileiro. Desta vez, mais um escândalo no governo Dilma Russeff, a corrupção envolve assessores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ligados ao PDT e ao Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, PDT. Segundo relatos da revista Veja, diretores de ONG, parlamentares e servidores revelam que caciques do PDT transformaram órgãos de controle da pasta em instrumento de extorsão.
Conforme apurou a Veja, para escapar das investigações, entidades precisam 'doar' entre 5% e 15% do valor do contrato ao PDT de Carlos Lupi. Conforme relatos de diretores de ONG, parlamentares e servidores públicos, o esquema funciona assim: primeiro o ministério contrata entidades para dar cursos de capacitação profissional, e depois assessores exigem propina de 5% a 15% para resolver 'pendências' que eles mesmos criam.
De acordo com a reportagem, o Instituto Êpa, sediado no Rio Grande do Norte, foi um dos alvos do ataque. Após receber em dezembro de 2010 a segunda parcela de um convênio para a qualificação de trabalhadores no Vale do-Açu, a entidade entrou na mira dos dirigentes do PDT. O ministério determinou três fiscalizações e ordenou que não fosse feito mais nenhum repasse. Ao tentar resolver o problema, os diretores do instituto receberam o recado: poderiam regularizar rapidamente a situação da entidade pagando propina.
Ainda conforme a revista Veja, o Êpa deveria entrar em contato com Weverton Rocha, então assessor especial de Lupi, ou Anderson Alexandre dos Santos, coordenador-geral de qualificação. Ambos respondiam a Marcelo Panella, então chefe de gabinete, homem de confiança do ministro e tesoureiro do PDT. A matéria da Veja segue com os relatos afirmando que, Weverton era um dos responsáveis por fixar os valores da propina, e a Anderson cabia fazer o primeiro contato. De acordo com a revista, feito o acerto, o dinheiro era entregue a um emissário do grupo corrupto no Rio de Janeiro.
Escrito por Eli Almeida
