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O ruído na vida dos de um individuo.


A presença do ruído em um ambiente de trabalho pode lesionar o sistema auditivo dos trabalhadores e causar perda da audição, quando os níveis são excessivos . No início o dano prejudica a audição nas frequências mais altas, em torno de 4.000 Hz, e depois afeta progressivamente as frequências mais baixas. Os indivíduos só percebem esta perda, que é irrecuperável, quando são afetadas as frequências da conversação, o que prejudica sua relação com as demais pessoas. O risco de perda auditiva varia de pessoa para pessoa e começa a ser significativo quando o trabalhador é submetido continuamente a um nível de exposição diária ao ruído superior a 80 dB.
Além da perda da audição, o ruído pode causar problemas cardiovasculares e digestivos. Níveis elevados de ruído podem provocar transtornos do sono, irritabilidade e cansaço. O ruído também diminui o nível de atenção e aumenta o tempo de reação do indivíduo frente a estímulos diversos e isso favorece o crescimento do número de erros cometidos e de acidentes que repercute negativamente na qualidade e produtividade. A avaliação do ruído deve ser feita com medições que devem considerar o nível de ruído e o tempo de exposição do trabalhador.
Os métodos de avaliação do ruído, as características dos equipamentos de medição, bem como os métodos de calibração dos equipamentos constam de normas de higiene ocupacional. O nível de exposição diário ao ruído deve ser mantido abaixo de 80 dB(A). Isto se consegue através do isolamento das fontes de ruído, colocação de barreiras acústicas, aumento da absorção de paredes e tetos, ou diminuindo o tempo de exposição do trabalhador.
Em alguns casos, mesmo após a adoção de todas as medidas de prevenção e controle, é possível que seja necessário, ainda, o uso de protetores auditivos. A forma afetiva como se percebe o som – com prazer ou sem ele – não está claramente associado a menor ou maior capacidade lesiva pelo que, na definição de ruído, entra-se principalmente com as variáveis intensidade e duração. Ou seja, um som, mesmo que desagradável, se for pouco intenso e/ou pouco duradouro, não afetará a saúde. Em contrapartida, o hábito de ouvir a 8ª Sinfonia de Beethoven, a 120 dB durante mais tempo que o devido, poderá provocar lesões auditivas irreversíveis O efeito mais conhecido é a surdez.
Quando a agressão não é demasiado intensa, a surdez corresponde apenas a perturbação funcional e é reversível. Por exemplo, a audição de um som de 90 dB durante sete dias provoca surdez reversível durante cerca de uma semana e a audição de um som de 100 dB durante uma hora e meia provoca surdez reversível que leva cerca de oito horas a recuperar. Já a audição dos mesmos 100 dB durante sete dias provoca uma pequena surdez permanente (pouco mais de 10 dB do zero audiométrico) correspondente a lesão orgânica das células ciliadas da cóclea.
Os seres humanos, quando jovens ouvem sons num intervalo entre os 18 e os 20.000 Hz, embora as frequências mais importantes no relacionamento social sejam as relacionadas com a conversação, entre os 500 e os 2000 Hz, daí que a surdez mais incapacitante seja a que envolve estas últimas frequências. Felizmente que a surdez devida ao ruído industrial inicia-se geralmente numa frequência ainda pouco incapacitante – 4000Hz – dando oportunidade, caso sejam feitas audiometrias periódicas, detectar os que vão desenvolver a surdez e tomar as devidas providências ainda numa fase não incapacitante.
Nem todos ensurdecem quando sujeitos à mesma dose de ruído, pois a susceptibilidade ao ruído é efetivamente muito diferente de pessoa a pessoa. Atualmente, ainda não existe forma de diferenciar preditivamente os que são dos que não são susceptíveis. Isto, aliado ao fato de a hipoacúsia ter início nas frequências dos 4000 Hz e não ser percebida pelo própria pessoa, pois essas frequências não são utilizadas na conversação, o que faz com que as audiometrias periódicas sejam extremamente importantes para detetar ainda em fase inicial os mais susceptíveis ao ruído.
Como já foi referido, quando a surdez se alarga aos 3,000, 2,000, e sobretudo aos 1,000 e 500 Hz, torna-se impeditiva de uma comunicação oral normal. É por isso que a avaliação da incapacidade de uma hipoacúsia leva em consideração a surdez média aos 500, 1.000, 2.000 e 4.000Hz com ponderação superior para os 1.000Hz. Quando a surdez é classificada como de causa profissional é passível de várias formas de compensação, incluindo a compensação monetária a partir dos 35 dB. Acompanha a surdez geralmente zumbidos, por ser uma lesão neurossensitiva.
Existem ainda os conhecidos efeitos psicológicos, alguns inerentes à própria incomodidade do ruído (depressão, ansiedade, agitação e irritabilidade), outros como consequência da impossibilidade de comunicação social (incapacidade de aprendizagem da linguagem por parte da criança) e outros ainda por mecanismos mal conhecidos (por ex.: o ruído diurno altera a qualidade do sono noturno). Estes efeitos são mais graves em pessoas já com debilidades psicológicas. Finalmente, é conhecido o efeito hipertensor e de acarretar taquicardia do ruído devido à maior sensibilização às catecolaminas existentes. As consequências da hipertensão – hipertrofia e enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, etc. – diminuem obviamente a esperança de vida.
Fonte: Qualidade online.